Televisão minha, televisão minha… existe alguém mais feliz do que eu?!

Televisão minha, televisão minha… existe alguém mais feliz do que eu?!

Recentemente passei por uma situação de mudança de casa e estão a imaginar tudo o que isso implica pela necessidade de empacotar coisas importantes e ainda o fenómeno do destralhar, que soube tão bem.

A par disso, fomos desafiados com um fenómeno interessante que tem a ver com a televisão. Por questões contratais com aquelas operadoras nossas conhecidas e o que isso implica em termos de quebra de contrato e valores acrescidos, que na verdade não me apetece agora descrever, ficamos um período sem televisão daquela que, para todos nós agora é convencional: umas boas dezenas de canais!

E que giro que está a ser!

Ao início pode-se estranhar um pouco, até porque a televisão como bibelô numa sala é algo que tem muito destaque, em parte pela dimensão que o objeto hoje em dia ocupa, mas também pela importância e tempo que lhe dedicamos.

Mas sabem o que mais me interessa?

É perceber o quanto as crianças se adaptam e se tornam mais criativas sem o domínio da televisão.

Brincam mais umas com as outras, inventam mais brincadeiras, exploram mais o ambiente, mexem-se mais e sabem o que mais?

Nós, pais, adultos chatos e desinteressantes muitas vezes, brincamos mais também e revisitamos jogos da nossa infância e contamos-lhe histórias de como é.

Os serões são mais longos, apesar do relógio contar o mesmo tempo.

Não sou radical contra o uso da televisão, mas penso que existem algumas dicas de ouro, que se aplicam a todos os écrans, hoje em dia:

  • Desliguem a televisão durante o momento das refeições, não precisam de um convidado fixo à vossa mesa, daqueles chatos e manipuladores que não se calam;
  • Evitem o uso de écrans de uma forma geral antes da hora de dormir, as investigações mais recentes apontam em termos da sobre estimulação cerebral;
  • Traga o silêncio para a sua casa ao desligar os barulhos da tecnologia e ouça e sinta os barulhos dominantes da sua casa e das pessoas que fazem parte dela;
  • Não use a televisão (ou outros aparelhos) para entreter os seus filhos, se a confusão estiver instalada e os níveis de energia da pequenada em ebulição, leve-os ao parque para umas corridas, sobe e desce de escorregas, um passeio de bicicleta, um passeio na praia para apanhar conchinhas, etc. É também uma boa forma de prevenir o sedentarismo e o excesso de peso que muitas das nossas crianças já apresentam.
  • Dê espaço para a curiosidade dos seus filhos, eles são naturalmente curiosos, deixe-os dar azo a isso, sem se preocupar o quanto desarrumam a casa ou se sujam ou se magoam.
  • Deixe-os sentir o tédio! Hoje em dia são tantos os estímulos que as crianças não chegam a senti-lo.
  • Não coloquem televisão no quarto dos miúdos, pelos motivos anteriores, mas também para não deixarem de controlar os conteúdos que assistem.
  • Cerca de duas horas diárias de televisão pode diminuir a capacidade de concentração da sua criança. Limite a sua utilização, bem como os programas que assistem!
Deixemos de ser reféns do mundo moderno, procuremos formas mais simples de estar e principalmente, na forma como educamos os nossos filhos.

Não temos de negar a utilização da tecnologia, mas procuremos um ponto de equilíbrio, de bem-estar e felicidade!

Por Ana Oliveira
Psicóloga - Clínica e Terapeuta Familiar e de Casal - Oficina de Psicologia
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