Ser um pai mindful

Ser um pai mindful: coisa do outro mundo ou algo bem mais fácil do que pensamos?

Ser um pai/mãe presente é um dos grandes desafios de qualquer um que ingressa nesta jornada da parentalidade. Queremos estar na nossa melhor forma, estar disponíveis, dizemos até que colocaremos de lado as nossas próprias necessidades para sermos mais presentes… porém, rapidamente percebemos que no ritmo alucinante e exigente de todos os dias, por vezes é difícil estarmos tão disponíveis e presentes (não só fisicamente) para os nossos filhos.
 

Ser um pai mais mindful poderá ajudar nesta caminhada, não com o objetivo de ser melhor pai ou mãe, mas mais consciente.
Alguns passos simples:

1. Encontre espaço para parar um pouco
A cada momento a vida exige-nos qualquer coisa, mesmo quando não há muito a fazer, estamos constantemente em piloto automático. Por isso, a forma de conseguirmos ser pais mais mindful, começa exatamente na capacidade de encontrarmos tempo para simplesmente estarmos connosco.
De uma forma simples, todos os dias, à mesma hora, permita-se parar entre 10 a 20 minutos e fique um pouco consigo, com a sua respiração, note o que sente o seu corpo, como está o seu nível de vitalidade… Deixe os pensamentos e preocupações diárias afastadas e traga gentilmente a sua atenção para a respiração.
Os estudos mostram que é exatamente este vaguear da mente tão rápido que nos afasta do nosso corpo e diminui a nossa sensação de bem-estar e de saúde, por isso estes curtos minutos podem representar uma vida diária completamente diferente do habitual.

2. Lide com o stress de uma forma mindful
Viver segundo este piloto automático, com pressa de um lado para o outro e a procurar dar resposta a tudo ao mesmo tempo, dificulta muitas vezes que os pais consigam dar o melhor de si aos seus filhos. Estarmos atentos aos momentos em que experienciamos mais stress é fundamental para não deixarmos que esse estado aumente até ao ponto em que está fora do nosso controlo.
A qualquer momento que note estar a ficar mais agitado (no carro a levar as crianças para a escola, a cozinhar o jantar, a caminho do trabalho…), pare um pouco, faça algumas inspirações com toda a sua atenção (ajuda a acalmar o nosso cérebro e a diminuir o sinal de alarme que se estava a gerar), observe o que sente, o que se passa à sua volta o que está realmente a acontecer e finalmente decida o que fazer. Pode decidir mudar a sua atenção do foco que causava agitação ou resolver a situação de uma forma mais eficaz.
Pequenos momentos destes, ajudam-nos a monitorizar o nosso estado emocional a cada momento.  

3. Adote o mote "Ser um pai suficientemente bom!" (e não o melhor)
Desligue de expetativas irrealista sobre ser um pai perfeito e diminua a preocupação com o impacto do que faz a cada momento. Ser mindful implica também aceitarmos que estamos a fazer o melhor que podemos, mas que apesar disso por vezes vamos falhar. E o mais irónico de tudo isto, é que apesar de não sabermos, os nossos filhos precisam que falhemos, elas precisam de modelos reais que lhe mostrem que falhar faz parte e que não precisam de estar constantemente preocupados em ser perfeitos. Assim, qualquer momento de falha pode transformar-se num momento de aprendizagem, perdão, compaixão e amor em vez de ser um drama ou algo muito negativo.

4. Respeite a individualidade do seu filho
A criança precisa principalmente de duas coisas, saber que é única e diferente dos seus pais e que ao mesmo tempo, estes estão por perto para ajudar. Desta forma é crucial definir limites entre pais e criança, dando espaço para que em determinados momentos a criança se possa conhecer a si mesma e que noutros possa pedir a nossa ajuda.
Para além disto, é também importante que nós pais possamos olhar mais para nós mesmos e ter atenção às nossas próprias intenções, receios e necessidades que possam muitas vezes, de uma forma pouco consciente, estar a por em causa a liberdade da criança. Pois, muitas vezes sem darmos conta estamos a projetar nas crianças os nossos próprios medos, mantemo-las por perto pelo nosso próprio receio de ficar sós e acabamos por atribuir à criança uma responsabilidade que esta não tem.
Por isso, é fundamental percebermos exatamente quais são as nossas necessidades e as necessidades da crianças e conseguirmos respeitar isso, mesmo que muitas vezes doa faze-lo.

5. Cultive a (auto)compaixão e o (auto)cuidado
Viver não é fácil, crescer não é fácil, ser pai não é fácil… por isso, todos precisamos de algum cuidado e compaixão. Olhe para o que sente, aceite que é normal em determinados momentos sentir-se desgastado(a), cansado(a), com receio…todos os pais passarão por esses momentos, porque somos humanos.
Ter este tipo de relação consigo mesmo ajudará a construir uma relação mais positiva com o seu filho, atento ao seu sofrimento, atento aos momentos em que pode intervir e aqueles em que pode deixá-lo crescer e lidar com as dificuldades, sabendo que fazer isso não significa gostar menos dele. Muito pelo contrário, significa que consegue ajudá-lo a crescer!

Seja um pai mindful enquanto brinca com o seu filho!

 


Adaptado de “The 5 main tenets of minful parenting” Lisa Kring

Texto escrito para a B de Brincar por

Inês Custódio

Psicóloga Clínica

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